quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

No meu tempo...

No meu tempo brincava com carrinhos de rolamentos. Quando eu era pequena era eu que fazia os vestidos das minhas bonecas. Sempre que podia ia brincar para a rua. Hoje está tudo diferente.

Li recentemente um interessante estudo* realizado por Maria Vickerius e Anette Sandberg (2006), cujos principais objectivos foram clarificar o conceito de brincar, compreender o seu significado para o indivíduo e para as suas interacções sociais, bem como comparar os actuais contextos (físicos e sociais) de brincadeira com as memórias de adultos, relativamente à sua infância. Participaram no estudo pessoas que trabalham com crianças, pais e crianças entre os três e os cinco anos.
O estudo demonstrou que, em termos de significado, brincar é divertido. Quer as crianças, quer os adultos, apreciam brincar e sentem que aprendem uns com os outros, sendo uma forma de estarem juntos e de compreender o que o outro pensa durante a brincadeira. Os pais definiram brincar como sinónimo de fantasia e diversão. Já as crianças recorreram a exemplos de brincadeiras. De acordo com este estudo brincar tem significado desde que seja divertido. As crianças referiram que o que de mais divertido fazem na “escola” é brincar e ser criativo. Mencionaram que o mais aborrecido é fazer algo não desejado ou não brincar com outras crianças. Por termos consciência destes significados, no Gymboree valorizamos os interesses da criança enquanto brinca e a partilha da brincadeira com pares.
No mesmo estudo, verificou-se que as semelhanças entre o contexto físico da brincadeira, na infância dos adultos participantes no estudo e o contexto físico da brincadeira nos dias de hoje, consistem no recurso a materiais naturais para brincar e a existência de parques infantis. As principais diferenças, encontram-se sobretudo ao nível dos media e da indústria dos brinquedos. O facto de, em grande parte dos casos, ambos os pais trabalharem fora de casa, possibilita um maior poder de compra, sendo que as crianças de hoje parecem ter mais brinquedos.
No que concerne às semelhanças do ambiente social da brincadeira, destaca-se a necessidade de brincar e de compreender o mundo envolvente, o uso da fantasia, o significado dos amigos, os papéis de género e as características da criança à nascença.

O que dirão no futuro, as crianças do presente? No meu tempo…

I.M.

* Vickerius, M & Sandberg, A. (2006). The significance of play and the environment around play. Early Child Development and Care, 76(2), 207-217.

1 comentário:

F.M. disse...

Artigos como este fazem-nos constatar o valor do brincar. Excelente sugestão!